publico-adwords publico-face

Campos do Jordão, 25 de março de 2017.

nov
03
2005

Bairro rural de Campos ganha projeto modelo de turismo

por: - Atualizado: 03/11/2005 16:07
Local foi escolhido para construção de hotel com spa e jardim botânico

O pequeno bairro dos Mellos, na divisa de Campos do Jordão com Santo Antonio do Pinhal e São Bento do Sapucaí, foi escolhido como berço de um ‘projeto modelo’ de turismo sustentável idealizado pelo empresário Ricardo Semler, um dos gurus do empreendedorismo.

Avaliado em R$ 30 milhões, o projeto, batizado de ‘Habitat dos Mellos’, contempla a construção de um moderno hotel com spa (o Botanique) e um jardim botânico em uma área de 1,5 milhão de metros quadrados –ambos, com inauguração prevista para 2007. O pacote conta com o apoio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

O projeto também contempla uma série de ações comunitárias –como a criação de cooperativas de trabalho e a implementação de um moderno método de ensino na escola do bairro, localizado a 14 quilômetros do centro turístico de Campos.

“Queremos mostrar que é possível fazer algo diferente aqui no Brasil. No bairro dos Mellos, pretendemos explorar a vocação turística da região, conhecida por suas belezas naturais, mas de forma planejada, para que no futuro ela não sofra degradação ambiental, social e econômica como outras regiões do país”, afirmou Semler, veterano na arte de inovar. Na década de 80, ele revolucionou sua empresa com uma gestão descentralizada e contou a história no best-seller ‘Virando a própria mesa’.

O BAIRRO – Com pouco mais de 600 moradores, o bairro dos Mellos, em Campos do Jordão, foi fundado antes mesmo da cidade, em meados do século 19, pelo lavrador José Joaquim de Mello, que saiu de Itajubá (MG) para morar com a família na região.

Ao longo dos anos, a comunidade foi crescendo, outras famílias chegaram mas, mesmo com o passar dos anos, alguns moradores conseguiram preservar antigos costumes, como cozinhar no fogão à lenha, preparar o café no coador de pano e ter o radinho de pilha –e não a televisão– como principal passatempo.

“Aqui, a gente não precisa nem trancar a porteira”, conta a dona-de-casa Benedita Maria de Mello, 68 anos, representante da quarta geração da família e uma das moradoras mais antigas do bairro.

Há pouco mais de dois anos, no entanto, o cotidiano da comunidade dos Mellos mudou sensivelmente. Após o início da construção do hotel, o índice de desemprego do bairro, que era de 33%, caiu para surpreendentes 2%. Além do trabalho na obra, a Fundação Semco –braço social do grupo Semco, de Semler– criou cooperativas de trabalho para a população local, como uma cozinha de marmitas e um empório.

“Antes, trabalhava como vendedor de cestas básicas em Campos. Quando soube da criação do empório, pedi demissão e vim correndo para cá. Aqui, sei que vou poder aprender mais e, quem sabe, conseguir um emprego no hotel”, contou Daniel Ferreira Pinto, 23 anos, que hoje trabalha como atendente no Empório dos Mellos.

A fundação também oferece cursos gratuitos –como os de inglês e gastronomia– aos moradores do bairro. A idéia, segundo os idealizadores do projeto, é qualificar a mão-de-obra local para absorvê-la no futuro empreendimento. Até 2007, o bairro também receberá melhorias como a reforma da igreja, a construção de uma praça, centro comunitário e rede de esgoto.