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Campos do Jordão, 16 de novembro de 2017.

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Lendas contam os encantos e mistérios de Campos do Jordão

por: - Atualizado: 17/10/2017 16:05

Todos os povos, independentes da sua localização geográfica, possuem contos, causos e lendas.

Muitas vezes essas estórias são fantásticas e recheadas de criatividades e tentam contar como esses fenômenos ou fatos que muitas vezes tornaram-se inexplicáveis ou trazem consigo a transmissão de aprendizados ou valores. Essas lendas são transmitidas de geração a geração, através da oralidade e ganhando valores culturais, tradicionais e de identidade de um povo.

Dentre as lendas que circundam o imaginário de Campos do Jordão, selecionamos algumas que estão associadas a localização, a fundação e de alguns pontos turísticos:

Amantikir: Os índios tupis que aqui habitavam essas terras, contavam que uma princesa de formosa beleza acabou se encantando pelo Sol e este por ela. A paixão entre esses dois seres tão diferentes, fez com que o Sol estendesse seu tempo no céu, a ponto de não querer mais se pôr para venerar sua amada. Não havia mais noite, as matas foram incendiando, os rios secando. Enciumada e chateada com o Sol, a Lua foi se queixar com o Tupã, que deitou a jovem moça sobre uma planície e sobre ela ergueu gigantesca montanhas. O Sol se derramou em tardes avermelhadas, tentando se afogar no mar; enquanto a sua amada chorou todos os dias por não poder contemplar o brilho e o calor de seu amado. Suas lágrimas foram tamanhas que resultaram nos mananciais, rios e lagos da Mantiqueira, que significa “a montanha que chora”.

Lenda dos 3 Pinheiros: Contam que que o Ignácio Caetano,  o primeiro morador das terras que hoje está localizada Campos do Jordão, era um sovina fazendeiro e que acumulou muitas riquezas com suas terras, que um dia pertenceu ao Brigadeiro Jordão.  Já velho, juntou todas as suas riquezas em outo e colocou em barricas em um burro. Acompanhado de um escravo seguiu na direção do Rancho Alegre, onde escolheu um centro geométrico entre três pinheiros, onde enterrou as urnas. Para resguardar a localização, matou o escravo. Após sua morte, muitas pessoas desbravaram em busca deste tesouro. Mas, os antigos contam que nas noites de sexta-feira, no Alto da Boa Vista, que em outros tempos era chamada Lomba Larga, era costume aparecer o fantasma de Ignácio Caetano, vestido de negro, chapéu preto, montado num cavalo também negro, galopando por aquelas lombas e gritando de remorso: “Lomba Larga, Lomba Larga, Três Pinheiros, onde estão meus dinheiros?”.

Lenda do Homem que Enlouqueceu: Reza a lenda que um homem extremamente trabalhador e amoroso morador das cidades existentes na Mantiqueira, após perder sua mulher e filhos no incêndio em seu casebre, andava desorientado em busca de sua família, percorrendo  e perguntando. As pessoas que conheciam o ocorrido lhe diziam “estão no céu” e, logo ele seguia na sua saga infindável. Nesse trajeto, pouco se alimentava e descansava aonde dava e nisso sua saúde cada vez mais prejudicada, ficando tuberculoso. Numa noite fria, ele foi acordado com a voz de sua mulher e filhos, a frente de uma montanha muito alta, convidando-o a subir aquela imensidão. Ainda febril e delirante pela doença, ele começou a seguir o caminho chegando a desaparecer.  Todos ficaram sem notícias suas e acreditavam que ele havia morrido devido ao seu quadro de saúde. Muitos tentaram procurar seu corpo, mas devido as dificuldades do relevo, as missões foram aos poucos se findando. Algum tempo se passou e, quando todos haviam se esquecido daquele senhor que vagava em busca de sua família, eis que ele ressurge não mais moribundo ou adoentado, mas com porte de firmeza e saúde recuperada. Muitos o indagavam o que lhe havia ocorrido. Ele declarava que após o chamado de sua família, ele foi subindo e desbravando o seu percurso daquela interminável formação montanhosa. Lá um gigante de pedras guardava uma fonte de água milagrosa que curava todas as moléstias. Após ser ter recuperado sua saúde, este homem achava que era necessário dividir com os demais os sucesso da sua cura.

Pedra do Baú: O Complexo rochoso que emoldura o Alto da Mantiqueira traz consigo uma linda e trágica lenda de 3 irmãos, o Monte Barão, Ana e Silvané. O primeiro era um jovem rapaz de fé e trabalho, de uma bondade extrema e de um porte físico realmente invejável; já Ana apesar de toda sua fé e devoção, não tinha os mesmos atributos de belezas, a mesma beleza e sensualidade que se destacava em Silvané e de fé não tão latente. Na última a beleza lhe envaidecia dia a dia  a ponto de ficar horas a se admirar no espelho das águas. Um belo dia, após voltar dos trabalhos, Monte Barão se deparou com a Silvané banhando-se no lago e despertando em si um sentimento realmente transgressor: uma paixão por sua irmã mais nova. Foi uma noite tortuosa, toda sua fé estava cega por aquele sentimento e, o jovem rapaz sentia a necessidade de expor seus sentimentos aquela que dominara seus pensamentos. Ana percebendo a inquietação de seu irmão tentou saber o que acontecia; apenas foi ultrajada como chata. Na manhã seguinte, Monte Barão tomado de coragem e coração em brasa resolveu se declarar a sua irmã, Ana os seguiu para entender o que estava acontecendo, pode ouvir as declamações de um sentimento impróprio entre eles. Mas antes que pudesse impedir o beijo consensual entre os irmãos, o céu escureceu como noite e, uma chuva e trovões. O castigo, porém, não tardou a vir: os três ‘irmãos sofreram incrível metamorfose e se transformaram em pedra. Quando o sol voltou a brilhar, a paisagem era outra. Silvané mantivera a sua beleza numa delgada pedra. Ana também, conservando a sua forma, passou a ser um rochedo chato e mais baixo, e Monte Barão preservou o seu amor, permanecendo ligado a Silvané, para toda a eternidade.

Gruta dos Crioulos: Uma formação rochosa a cerca de 8 km de Vila Jaguaribe, traz em seus mistérios, que ali era refúgios de escravos que fugiam das fazendas existentes no Vale do Paraíba e iam no sentido de Minas Gerais. Dizem que ali os capitães do mato não encontravam pelo seu trajeto ser cortado pelas matas. Muitos às vezes não conseguiam chegar ao seu destino final, ás vezes morrendo ainda na Mantiqueira. Porém, as pessoas mais antigas contam que nas noites de sextas-feiras é possível ouvir o barulho das correntes e dos gritos dos escravos que ali se refugiaram

Água Santa: Em remotos tempos, em que o cavalo era o principio meio de percorrer longas distâncias pelas terras da Mantiqueira. Seis cavaleiros seguiam de Itajubá para a região paulista. Após longo percorrer, avistaram um vale de beleza realmente inigualável onde a vegetação guardava como reduto de águas tão cristalinas que brotavam das pedras e ganhavam forma por dentro da mata virgem. No intuito de saciar a sede suas e dos animais pararam. Porém perceberam que ao se aproximarem, as águas borbulhavam. Da mesma forma que quando falavam, batia palma,  a água se manifestava borbulhante. O encantamento foi tamanho, que os seis cavaleiros resolveram interromper a viagem por ali e fixarem morada nas proximidades daquela água miraculosa. No entanto, um deles se mostrou descrente e queria provar os demais que era apenas um devaneio; resolveu entrar com cavalo e tudo. No entanto, este sentiu um tamanho solavanco e foi atirado ao chão e do alto da ribanceira podia-se avistar a imagem de uma santa que se figurava, levando esse a ser o seu maior devoto. erguendo com suas próprias mãos uma capela no local. A notícia da fonte e sua santa correram Campos do Jordão. A região ficou conhecida como o Vale da Água Santa, mais tarde, a Fazenda da Água Santa. Desde então, em determinado dia do ano, os habitantes das redondezas passaram a reunir-se no local, prestando o devido culto à santa que está na fonte.