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Campos do Jordão, 18 de outubro de 2017.

jul
14
2004

Renato Teixeira em “O Tempo e a Canção”, será atração no dia 31/07/2004

por: - Atualizado: 14/07/2004 00:00
Programa – Em seu novo show Renato Teixeira apresenta seus maiores sucessos, além de apresentar suas mais recentes composições. É um show de compositor, onde podemos apreciar algumas dessas obras, destacando, além de “Romaria”, “Amora”; “Amanheceu Peguei a Viola” (tema … Continua

Programa – Em seu novo show Renato Teixeira apresenta seus maiores sucessos, além de apresentar suas mais recentes composições.

É um show de compositor, onde podemos apreciar algumas dessas obras, destacando, além de “Romaria”, “Amora”; “Amanheceu Peguei a Viola” (tema do extinto programa Som Brasil, da Rede Globo) e “Frete” (tema do seriado “Carga Pesada” que foi regravado por Chitãozinho e Xororó) e canções da parceria com Almir Sater “Tocando em frente” e “Um violeiro toca”.

Recentemente, o cantor; compositor musicou a peça “A luta secreta de Maria da encarnação”, de Gianfrancesco Guarnieri; está participando do disco com Lima Duarte, que conta à história de Nossa Senhora Aparecida; fez a trilha sonora da peça “A Flor do Meu Bem Querer”, de Juca de Oliveira, em cartaz no Teatro Cultura Artística e está entre os indicados ao Prêmio TIM de Música de 2004, na categoria regional, pela gravação de seu mais recente disco.

Seu novo CD indicado ao Prêmio TIM de Música

Cirandas, folias e cantigas do povo brasileiro

O novo CD de Renato Teixeira, intitulado “Cirandas, Folias e Cantigas do Povo Brasileiro”, partiu do pressuposto de resgatar as músicas que estavam esquecidas e da qual foi colhida uma pequena amostra, um verdadeiro garimpo musical.


“Como o nome do disco diz, são músicas de domínio público como cirandas, folias de reis e cantigas. Algumas delas têm quase 300 anos que estão sendo passadas de geração em geração”.

 Na verdade o que Renato Teixeira está fazendo hoje é idéia fixa de pelo menos 30 anos atrás, quando o publicitário Marcos Pereira montou uma gravadora e mapeou musicalmente o Brasil produzindo discos regionais.
“Participei do disco que retratava a cultura do Centro-Oeste, como fiel representante da música caipira” destaca
Cultura que ele faz questão de explicar: “Não é música raiz, porque esse título é preconceituoso”, defende. “É um disco em que fiz algumas adaptações e até restaurações de letras que se tornaram incompreensíveis”, informou. No disco estão clássicos como “Cuitelinho” e “Peixe Vivo”.

Este CD é um resgate do passado e um projeto para o futuro. Ele acredita que desta maneira está contribuindo para a busca de identidade cultural do País. “O Brasil está ficando mais culto, o povo está saturado de tanta manipulação e isso permite a previsão de um bom momento para o País”, defendeu. “Apesar de muitas pessoas renegarem o título caipira, existe uma definição sociológica para este termo”, revelou.
“Felizmente não preciso estar sempre nesta mídia abusiva. Tenho cuidado para não me expor demasiadamente. Tem programas legais, como o da Inezita Barroso” garantiu. É fato que o artista tem um público fiel que o acompanha, independente de suas aparições na mídia. “É um público que tem interesses culturais definidos”, confirmou. “Tenho feito uma média de 12 shows por mês para um público grande”.
Renato neste ano, priorizou bastante o Interior de São Paulo, por entender que esta cultura (caipira) alimentou a obra de brasileiros ilustres como Tarsila do Amaral, Guimarães Rosa, Antônio Cândido, Sérgio Buarque e Monteiro Lobato. “É incrível saber que “Macunaíma” (índio que vivia na Amazônia, personagem do modernista Mário de Andrade) foi escrita em Araraquara, cidade do Interior de São Paulo”.

Disco povoa imaginário popular

No CD “Cirandas, Folias e Cantigas do Povo Brasileiro”, Renato Teixeira regrava então algumas canções como “Chitãozinho e Xororó” e “Moreninha se eu te Pedisse”, entre outras. Tarefa difícil é encontrar pelo Brasil afora quem nunca tenha ouvido e se emocionado com a inesquecível Elis Regina, entoando os primeiros acordes de “Romaria”. Até hoje a canção é amplamente tocada por muitos cantores e compositores brasileiros.
O artista representa muito mais desse mesmo povo em suas outras composições, muitas das quais foram imortalizadas pelas vozes de Maria Bethânia, Joana e outras realizadas em parceria com músicos bastante significativos, como Dominguinhos e Almir Sater. Na vastidão de sua obra residem todos os tipos de possibilidades melódicas da música caipira brasileira, da qual Renato Teixeira é um dos maiores expoentes.
Essa mesma obra, contudo, corre o risco de passar despercebida pelas próximas gerações e até mesmo de ser esquecida pelas antigas, considerando que a música caipira vem sendo engolida com voracidade por novos segmentos de música sertaneja, alguns muito mais próximos do country americano do que do caipira brasileiro.

Carreira é acompanhada por público fiel

“Considero minha carreira dinâmica, mas que sempre precisa de pessoas trabalhando nela”, . O cantor  está inserido dentro da história da música brasileira. “Minha experiência é diferente dos demais artistas da MPB; tenho outra postura, a de trabalhar com coisas adormecidas”, exemplifica. “Apesar de o Brasil ter tido grandes violeiros, minha carreira representa uma renovação”.
Aos 36 anos de carreira, sendo 25 de shows, Renato Teixeira diz que nada é intencional. “O público é igualzinho em todo Brasil. Até o jeito de se vestir é semelhante”, informa. Segundo Renato, ele é formado por professores, crianças, universitários (a maioria) e idosos. “Acho que isso é uma abrangência que a MPB permite, como foi o Ary Barroso; um compositor para todas as idades”.
Se tem uma coisa que ele não sabe dizer é o número de discos que já gravou. “Não me prendo a esse lance de quantos LPs foram, quando passou para o CD, quantas coletâneas ou quantas regravações. Se quer saber, posso dizer que foram mais de 30”, arrisca. “Me relaciono mais com a música que estou fazendo naquele momento porque ela conta um pouco sobre mim. A música é o grande remédio que cura todos os males”.

Sucesso – “Romaria” é, sem dúvida alguma, a maior referência que se tem de Renato Teixeira. “É a música que me situou, que me definiu e que me explicou”, reconhece. “É um outro tipo de música caipira onde existe até poesia concreta”, justifica. Outra canção que é um divisor de águas de sua carreira é “Um Violeiro Toca”, resultado da parceria com Almir Sater, inspirado no raciocínio poético de Noel Rosa.
Renato defende que é preciso haver uma revolução musical do movimento que teve início em meados dos anos 60, quando se criou a ‘world music’. Ele aposta nesta renovação com o surgimento de novos talentos, como a cantora, Maria Rita Mariano. “Aquilo ali é a genética atuando. Ela é uma cantora que veio pronta; que tem uma herança da mãe (a cantora Elis Regina) e do pai (o músico César Camargo Mariano)”, acredita.